Disputa entre o novo e o velho deve marcar a eleição de 2018

Com o andamento e os desdobramentos da operação Lava-Jato, as eleições presidenciais de 2018 ainda são uma grande incógnita, mas tendem a ser uma briga entre o novo e o velho, sem a tradicional polarização de direita e esquerda. Para João Augusto de Castro Neves, diretor para América Latina da consultoria da risco político Eurasia, é possível que a corrida presidencial comece com diversos candidatos e termine como “um jogo de resta 1″ por efeito da Lava-Jato, e não necessariamente pela escolha das urnas.

O consultor participou de painel sobre política e a retomada do crescimento que aconteceu no 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, termina nesta quinta-feira, em São Paulo.

Questionado sobre a possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Neves destacou que poderá haver obstáculos jurídicos – por conta da Lava-Jato – e entraves políticos, como o alto índice de rejeição em todas regiões, com exceção do Nordeste. “O Lula pode ir bem no primeiro turno, mas não será tão competitivo no segundo”, disse.

José Anibal, ex-senador e presidente do Instituto Teotônio Vilela, reforçou o coro de que tudo ainda é imprevisível. “Em setembro de 1993, o Fernando Henrique Cardoso achava que não se candidataria nem para deputado federal no ano seguinte. E virou presidente”, lembrou. Quanto à candidatura à reeleição do presidente Michel Temer, Aníbal disse achar “pouco provável”, mas ressaltou o poder de angariar votos a favor do candidato da sua escolha. “Ele pode ser um grande eleitor”, afirmou.

Para Eduardo Loyo, sócio e economista-chefe do Banco BTG Pactual, não há como prever o desempenho da economia com a candidatura de uma ou outra pessoa.Ele ressaltou, no entanto, que a campanha eleitoral deve se dividir entre aqueles que têm simpatia pelas reformas do governo e aqueles que serão proponentes de uma nova arrumação. “Eu acredito que ninguém que se eleja em 2018 resolverá reverter as reformas, no entanto é sempre uma nova orientação”, afirma.