Diversificação é o caminho para a evolução da indústria de fundos

Para  o segmento de fundos evoluir, o caminho é a diversificação, segundo Flávio Souza,  vice-presidente da ANBIMA. Atualmente, 65% das aplicações em fundos estão concentradas em produtos de renda fixa, contra 24% desta mesma categoria na média da indústria mundial. “É a síndrome do extrato no final do mês. O cliente vê que ganhou 1% e fica feliz”, disse ele sobre a preferência pela renda fixa.

Ele participou nesta quarta-feira de painel sobre a agenda da indústria de fundos no 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, que acontece hoje e amanhã em São Paulo. Na mesa-redonda estava ainda Carlos Ambrósio, também vice-presidente da ANBIMA, para quem um novo ciclo de diversificação está por vir, levando em conta a queda da taxa de juros e da inflação. O movimento tende a ser semelhante ao que aconteceu nos anos de taxa de juros de um dígito entre março de 2012 e novembro de 2013. “Neste ciclo isso acontecerá de maneira mais rápida. Hoje temos a Instrução CVM 555 que deixa tudo mais claro e estruturado, além da memória dos anos de 2012 e 2013. O investidor já sabe o caminho e o que buscar”, afirmou o executivo.

Carlos André, presidente da Comissão de Fundos de Investimento, destaca que “mais importante do que a taxa de juros é a percepção dos agentes do mercado de que teremos um período para que as realocações aconteçam de maneira consistente. A transição dará o alicerce para atingirmos uma nova realocação da indústria brasileira”

Evolução da regulação

Mesmo com a recente reforma da regulação de fundos, uma das reflexões propostas pelo moderador do painel, o superintendente-geral da ANBIMA, José Carlos Doherty, foi o peso regulatório muito grande sobre o administrador de fundos. “Precisamos de uma melhor definição das responsabilidades dos agentes de mercado. Temos muito a evoluir”, afirmou.

“O maior desafio da indústria está no papel do administrador. A ANBIMA tem a reforma do Código de Fundos, que vai nessa direção, mas ainda há desafios. O assunto extrapolou o ambiente regulatório e é um desafio conjunto de todos os agentes”, disse Souza. “A administração é o segmento do negócio que está sendo mais desafiado atualmente”, disse.

Para o superintendente de Relações com Investidores Institucionais da CVM, Daniel Maeda, essa discussão precisa acontecer. Ele mencionou, ainda, a onda regulatória bastante intensa para a indústria de fundos nos últimos anos. “A norma andou, o mercado se adaptou e estamos numa terceira fase, que é o monitoramento”, disse.

E como está esse debate sobre a regulação no mercado internacional? Segundo Dan Water, diretor geral da ICI (Investment Company Institute), mundialmente a regulação está em um ponto de inflexão. A União Europeia, por exemplo, revê o impacto de sua legislação, enquanto os Estados Unidos vive a regulamentação de alguns pontos da lei Dodd Frank. Ele propôs uma reflexão: “estamos indo longe demais? É preciso analisar para ter certeza de que não estamos impedindo o crescimento do mercado”, afirmou.