Fundos estruturados são alternativa de financiamento para o setor imobiliário

A necessidade de estimular fontes alternativas para o financiamento do setor imobiliário não é um tema novo, mas o debate ganha relevância por conta do impacto da crise econômica na captação de recursos destinados ao setor. A caderneta de poupança vem perdendo recursos ano a ano e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) também vê reduzida sua capacidade de atender à demanda. Possíveis alternativas são os fundos estruturados, como debatido no  primeiro dia do 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimentos, nesta quarta-feira.

Reinaldo Lacerda, presidente do Comitê de Produtos Financeiros Imobiliários da ANBIMA e moderador do debate, chamou a atenção para a relevância de buscar alternativas para o financiamento do setor imobiliário, dado seu peso na economia do país. “O setor representa algo entre 8,5% e 9% do PIB, a cadeia produtiva recolhe quase R$ 115 bilhões em impostos e as companhias empregam 13% da mão de obra do país”, destacou. “Discutir, portanto, como financiar um setor de tamanha relevância é importante para todos”, disse.

A liberação dos recursos das contas inativas do FGTS neste ano, da ordem de R$ 40 bilhões, foi criticada por Luís Fernando Mendes, economista da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), entidade que reúne os sindicatos do setor. “Entendemos a gravidade do momento econômico, mas esperamos que mudanças nas regras de saque do fundo não ocorram novamente, porque a perda deste recurso não estava na conta”, comentou Mendes.

Os números comprovam a relevância do FGTS para o setor. Para este ano, o orçamento do fundo para habitação é de R$ 70,5 bilhões, sendo R$ 55 bilhões destinados especificamente para a habitação popular. “É preciso definir um foco para o FGTS, não se pode aumentar as possibilidades de saque, ao contrário, é importante repensar as que existem porque os desembolsos crescem mais do que a arrecadação. O momento é de rever as regras e definir foco”, disse o economista da CBIC.

Filipe Pontual, diretor da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), destacou a importância do financiamento imobiliário como “elo para a retomada do setor imobiliário, ao lado da estabilidade macroeconômica e da segurança jurídica”. Dados da Abecip mostram que produtos como LCI (Letra de Credito Imobiliário) e  CRI (Certificado de Recebível Imobiliário) respondem por 15% e 6%, respectivamente, da estrutura de financiamento do setor, que é da ordem de R$ 1,1 trilhão. Recursos da poupança, por sua vez, financiam 44% das operações e o FGTS outros 35%.

Alexandre Machado, sócio da Hedge Alternative Investments, chamou a atenção para a necessidade de desenvolvimento dos fundos de investimentos imobiliários  como alternativa para financiar o setor. Segundo ele, os juros altos são os maiores competidores dos fundos. “Quando cair a um dígito, os fundos serão mais interessantes. No ano passado, o índice do segmento, o Ifix, subiu 32% e ainda tem espaço para avançar. ”

Após três anos sucessivos de queda em número de lançamentos e vendas de unidades, o setor imobiliário pode voltar a crescer neste ano, segundo previsão de Celso Petrucci, economista do Secovi-SP. “Se o PIB voltar a subir e o desemprego ceder, como tudo indica, acreditamos em um mercado entre 5% e 10% maior neste ano. ” Para Petrucci, a recuperação se dará, primeiro, nos imóveis de três e quatro dormitórios para um público de melhor renda.