Profissionais devem buscar conhecimento técnico e humano

A educação técnica e continuada, a valorização do processo de aprendizado, a visão do cliente e a capacitação de pessoas para entender de pessoas são algumas demandas fundamentais na atualização de profissionais que atuam na dinâmica indústria dos mercados financeiro e de capitais.

“Precisamos valorizar a educação continuada e a visão do cliente”, afirmou hoje a superintendente de Informações Técnicas e de Educação da ANBIMA, Ana Leoni, no Seminário Carreiras, evento que acontece em paralelo a 9ª edição do Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, em São Paulo.

Responsável pela área de Certificação da ANBIMA, que licencia os profissionais para atuarem em diferentes segmentos desse mercado, Ana destaca que mais importante do que passar nas provas para obter as certificações CPA-10, CPA-20, CEA e CGA é todo o processo preparatório, que em média leva de três a seis meses. “Esse é um momento super relevante, o que vai valer é o que adquire de conhecimento antes e depois do exame”, explica.

Com 26 anos de experiência no mercado financeiro, o Vice-Presidente de Planejar, Jan Karsten, é incentivador das certificações, entre elas a Chartered Financial Analyst (CFA) e a Certified Fiancial Planner (CFC). Entretanto, além de defender que o conhecimento técnico seja contínuo, acredita que os profissionais do mercado financeiro precisam valorizar o networking e o feeling no lidar com as pessoas. “É preciso entender quem é o tomador de decisão da família e quem exerce influência sobre ele e isso vai ter que ler nas entrelinhas”, afirma.

“A carreira do mercado financeiro é umas das mais longas, mas as FinTechs vão acabar com o cara que é focado em investimentos e produto, é questão de tempo”, destacando que além da atualização, para postergar a aposentadoria e permanecer na ativa é importante ter uma rede de relacionamento a quem possa oferecer produtos convenientes a cada perfil”, completou Jan Karsten.

Entretanto, os conhecimentos em tecnologia não são dispensáveis, muito pelo contrário. “O planejador do futuro deve saber usar as tecnologias para conversar com os clientes de forma mais ágil. A gente precisa aprender e evoluir na utilização da tecnologia para processos e acompanhamento de clientes”, explica o vice-presidente do Comitê de Educação de Investidores da ANBIMA, Martin Iglesias, da área de Alocação de Produtos e Ativos para clientes pessoa física do Itaú-Unibanco.

Iglesias orienta também a constante leitura sobre investimentos e comportamento humano. “A parte técnica muda, por isso é importante a atualização constante, mas não é isso que diferencia. O diferencial é entender de pessoas”, afirmando também que aquela certificação que é obrigatória em um segmento pode ser um diferencial em outro. “Com certeza aquela pessoa certificada tende a ter um desempenho superior ao dos seus pares”.

Em uma Associação que já certificou mais de 400 mil profissionais, Ana Leoni destaca a relevância da educação continuada em todas as carreiras relacionadas ao setor da ANBIMA. “Além da mesa e do Asset, as áreas de backoffice, análise e apoio são fundamentais nesse mercado. Há diferentes linhas de atuação e as áreas de risco  e compliance estão crescendo nas instituições financeiras”, afirma ela, que destaca ainda a importância da conduta ética no dia a dia de qualquer profissional para que tenha uma boa reputação e consequentemente uma carreira sustentável.