Projeto de mercado integrado de capitais na América Latina avança

Seis países da América Latina – Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México, além do Brasil – deverão fazer parte, nos próximos anos, do mercado integrado de capitais. O projeto, que está sendo desenvolvido pela Brain (Brasil Investimentos e Negócios) – iniciativa que reúne as instituições e dos mercados financeiro e de capitais, da qual a Anbima faz parte – e que conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) -, prevê a criação de um passaporte regional de fundos.

Durante o 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, que acontece nesta quarta e quinta em São Paulo, Alfredo Sneyers, sócio líder da PwC para a área de Serviços Financeiros, explicou que tal mecanismo está sendo desenhado para facilitar a distribuição de fundos de investimentos – mútuos ou estruturados – nos diferentes países da América Latina e nos mercados internacionais. “O que se pretende é aumentar o número de opções para os investidores, reduzir custos e aumentar a eficiência do mercado de fundos da região”, destaca.

Além do passaporte, há estudos para a criação dos títulos Latin American Depositary Receipts (LDR) e Latin American Depositary Notes (LDN). “Esses papeis poderão ser negociados de forma mais amigável entre os países, contribuindo para a ampliação dos mercados de capitais da região”, ressalta.

Uma das preocupações, segundo Sneyers, é a padronização das regras, para que os produtos se aproximem de outras iniciativas globais em vigor. Uma das referências, nesse sentido, são os fundos UCITS, que são transacionados na União Europeia. Esses ativos foram apresentados, durante o Congresso, por Denise Voss e Camille Thommes, representantes da Associação da Indústria de Fundos de Luxemburgo (ALFI).

Tanto o passaporte de fundos, como os títulos LDR e LDN, começaram a ser desenhados há três anos. Desde então, comenta Carlos Takahashi, diretor-executivo da Brain, foram identificadas as barreiras que existiam para a criação do mercado integrado e realizadas dezenas de entrevistas com os players do mercado financeiro e de capitais dos países vizinhos, como reguladores, bancos de investimento, a fim de buscar um modelo que fosse viável. Há duas semanas, o projeto foi apresentado e aprovado pelo BID. “Conceitualmente, não recebemos nenhum comentário que inviabilizasse a continuidade”, afirma.

Na próxima semana, o projeto será apresentado na Conferência da IOSCO (sigla em inglês de ​Organização Internacional das Comissões de Valores), que acontecerá na Jamaica. A estimativa, segundo Takahashi, é que o projeto seja instituído, na América Latina, em até dois anos.