Reformas não podem se restringir à previdência e às regras trabalhistas

O otimismo com a aprovação das reformas e a certeza de que elas não podem se restringir às mudanças nas regras trabalhistas e previdenciária, sob pena de o crescimento não ser sustentável, deram o tom no debate sobre o cenário político e econômico que aconteceu na manhã desta quinta-feira no 9º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, que acontece em São Paulo.

“É importante que ‘brotos verdes’ apareçam no momento em que o clima e o solo estão mais propícios para que eles floresçam”, disse o sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual, Eduardo Loyo, referindo-se à expectativa de aprovação das reformas. “Elas não vão, instantaneamente, dar às pessoas e aos empresários a sensação de que, agora, o Brasil está na rota clara do crescimento ou totalmente recuperado das perdas que sofreu nos últimos anos, mas é uma reversão na tendência que o país experimentava”, explica.

O presidente do Instituto Teotônio Vilela, o ex-senador José Aníbal, mostrou-se confiante quanto ao andamento das reformas. “O Congresso já votou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a PEC do Teto dos Gastos, mudanças nas leis do pré-sal e agora vota duas reformas cruciais”, disse. “O resultado aparecerá depois, mas a motivação é absolutamente emergente”. Ele acredita que a Lava Jato estimula o Congresso a votar.

Para Loyo, a questão previdenciária é “um pilar essencial dentro da agenda de reformas como um todo”. Ele explica que não é possível trocar os resultados dessa reforma por um pouco de melhoria em outros setores econômicos do país, pois “já houve muita demora em atacar esse problema”, justifica. “Apesar das alterações feitas no projeto inicial, o consenso é que ela está em boa forma”, explica, ressaltando que “teremos um avanço muito importante em relação às expectativas que se tinha um ano atrás de fazer qualquer coisa a respeito”.

Aníbal ressaltou a necessidade de diálogo para facilitar o entendimento da sociedade sobre as reformas. “Falta um pouco de coragem aos políticos para conversar com as pessoas e com os meios de comunicação e explicar que essa reforma não só é inadiável, como é absolutamente emergente”, afirmou.

A visão otimista em relação às reformas também já chega aos investidores estrangeiros, segundo o diretor da consultoria de risco político Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves. Segundo ele, diante de um emaranhado de manchetes negativas, o movimento pela aprovação das reformas leva a resultados mais duradouros e de longo prazo. “O ciclo da Lava Jato está mudando a maneira de se fazer negócios que, no longo prazo, é positivo, mas cria instabilidade no curto prazo”, disse.

Castro Neves aposta que a reforma previdenciária será aprovada até setembro deste ano e lembra que o debate político atual trará uma nova racionalidade e mais discussões sobre outras questões econômicas que podem ser aprimoradas. “O que o governo está fazendo é emergencial, para estancar a sangria. Mas não se pode achar que a economia está tomando um remédio e ele acabará com todos os problemas do país”, concluiu.